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Comunidade

Autor:

Pedro Moura

Data do Artigo: Qua. 01.02.2023

Comunidade

A banda desenhada, enquanto descendente da imprensa, nasceu concomitantemente com a noção da sua publicação rítmica. Ao longo da sua história particular, essa dimensão foi expressando-se com os mais variados graus, mas durante décadas, e em alguns géneros, em muitas tradições nacionais distintas, quase se confundia esta arte com um ritmo certeiro, que criava um sentimento paradoxal de segurança misturada à surpresa, e de fragmentariedade alimentando a complementaridade.

Pertenço a uma geração para quem o ritual semanal de aquisição de um título era elemento intrínseco não apenas do prazer da leitura da banda desenhada mas da própria estrutura na construção do seu significado. Dependendo do texto em questão, poderia ser uma tira diária, duas a quatro páginas semanais de uma história em cada revista, num álbum anual, cuja história poderia ser auto-contida, mas se atrelava às aventuras contínuas das suas personagens. Hoje, em larga medida, na esmagadora maioria da mangá comercial e nos comic books do mainstream norte-americano, essa dimensão ainda se mantém, mas está subsumida (e quase “sumida”) numa paisagem tão mais alargada, que o factor ritualístico quase se dilui por completo.

Nas considerações do filósofo sul-coreano Byung, Chul-Han, em Desaparecimento dos Rituais, estes são como uma história na qual se integra a comunidade. Essa história perfaz o seu mundo. Daí que Byung fale de uma “comunidade sem comunicação”, no sentido em que esta não é necessária: a compra semanal da revista Tintin (1968-1988, em Portugal), ou a mais longa Mundo de Aventuras (de 1949 a 1987), enquanto exemplos locais, tornava qualquer dos seus leitores como imediato membro de uma comunidade. Em contraste, a oferta “narrativa” massiva e impossível de dominar na totalidade dos nossos dias (séries de televisão, produção cinematográfica mundial, jogos vídeo, banda desenhada de todos os quadrantes, inclusive nos social media, vídeos virais, memes, etc.) cria uma percepção serial, por oposição a uma percepção simbólica (do grego syn + bállein, que cobre o significado de “colocar em conjunto”). Essa oferta é extensiva, não intensiva, logo, o resultado é uma contrária “comunicação sem comunidade” (isto é, estimula mais o “ter” – “vi”, “li”, “tenho”, “check” – do que o “ser”, membro, leitor, trocar impressões, participar num verdadeiro diálogo…).

As revistas de banda desenhada (quase) desapareceram dos quiosques. Os quiosques (quase) desapareceram. Haverá na iniciativa da Umbra, portanto, um certo grau de nostalgia, sem dúvida. Mas não acrítica, como se se acreditasse que “nos tempos de ouro” é que haveria uma qualidade perdida para sempre. Bem pelo contrário, acreditamos que essas qualidades são revisitáveis, recuperáveis e relançáveis. Daí que a partir das sombras dessas memórias se forme a Umbra.

Comungar. A Umbra nasceu igualmente como uma nuvem que agregava interesses similares em torno de todo um imaginário descritível por certos géneros clássicos e delimitados: a ficção científica, o terror, a fantasia negra, a weird fiction, as distopias políticas, assim como por características formais que se tornariam as “regras” de participação: histórias curtas, autoconcludentes, aristotelicamente estruturadas, a preto-e-branco. Não quer dizer que todos os autores estejam enclausurados nesses géneros. Bem pelo contrário, quase todos os participantes, com maior ou menor experiência, vêm de quadrantes distintos, mas partilhava-se nestas páginas um interesse por esses territórios temáticos e estilísticos. Que, a abono da verdade, logo no segundo número começaram a ser “desrespeitadas”, uma vez que faz parte da própria natureza de uma publicação (ainda que irregular, deseja ser contínua) ser mutável no interior… ou flexíveis nas formas como angariam e dialogam com os participantes.

Dessa forma, o primeiro número lança as bases de ficções negras, em que o road-movie se junta ao distópico, o noir cool ombreia com obsessões febris, em que o apocalipse tem tanto lugar numa qualquer cave de uma cidade contemporânea como em bases experimentais ocultas, e mensagens misteriosas se disfarçam em sinais de rádio, astrologia urbana ou vítimas de mitos incel. O segundo número alarga os temas, olhando para os céus quer em busca de sinais de vida extraterrestre inteligente como de Deus que resolva a estupidez terrena. Olha-se para o passado e teme-se pelo futuro. Tenta-se uma história mais leve e juvenil, lado a lado a um retrato do que poderia ser, se um “SE…” viesse às nossas portas. No terceiro número, a ideia de “géneros” centrais começa a titubear, permitindo um grau bem mais variado de humores e estilos, ainda que todas as peças desta entrega se pudessem unir sob o signo do “isolamento humano”. Finalmente, o quarto número, que se estende para seis histórias convivendo entre as capas, explora sobretudo medos: medo de envelhecer, das guerras, de ser invadido por dentro e por fora, de ver as paisagens familiares carcomidas pela violência, por ver as memórias serem vítimas da devassidão.

Esperemos que os próximos escondam maiores e mais potentes rituais.

(excerto do texto da brochura da exposição UMBRA 4.0)

Blogs do autor:
lerbd.blogspot.com
yellowfastcrumble.wordpress.com

adminumbracomics2025-12-02T00:39:23+00:00Qua. 01.02.2023|Categories: Antologia de bd, Comics, Cultura popular, Distopia, Ensaios/artigos, Exposições, Fantástico, Ficção-científica, Revistas|Tags: comunidade, Flyer, Maquete 4, Pedro Moura, Umbra#2 UMBRA 4.0|

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