A primeira campanha de Umbra no Catarse terminou no último dia 15 de outubro com entrega prevista para o final de dezembro de 2024. Mas, infelizmente, o processo de finalização do álbum atrasou e agora ele será entregue (de verdade) em fevereiro de 2025. Por isso decidimos lançar esta campanha “Late Pledge”. E também porque a Umbra merece ser mais conhecida pelo público brasileiro. Então, nada melhor do que uma segunda campanha para dar mais visibilidade a este projeto que reúne cinco histórias em quadrinhos de ficção científica, terror e mundos distópicos escritas e desenhadas por consagrados artistas de Portugal e do Brasil.

Cinco? Não! Agora são SEIS histórias em quadrinhos! Não seria justo a gente informar do atraso de dois meses do projeto sem dar uma compensação para os apoiadores e parceiros da primeira campanha de Umbra!

Link da campanha brasileira

APRESENTAÇÃO

Uma origem distópica

A Umbra Editorial surgiu por minha iniciativa pessoal no Festival de Banda Desenhada da Amadora 2019, com dois títulos inéditos: a novela gráfica Selva!!!, com roteiro e arte da minha autoria, e a Umbra #1, um volume em preto e branco com cinco histórias autoconclusivas, 112 páginas, no formato 19x27cm. É desta edição que iremos tratar aqui, agora na sua nova apresentação para o leitor no Brasil. Aqui por Portugal, Umbra é uma Antologia que reúne autores portugueses e estrangeiros com periodicidade anual. Mas vamos fazer um pequeno flashback. Não sei se foram os quadrinhos, a televisão e suas séries, o cinema ou os livros de aventuras (Júlio Verne e Emilio Salgari), que me trouxeram o amor a esta arte. A habilidade para o desenho já veio com o “pacote” e as minhas memórias remontam à escola, a desenhar com cinco anos. As leituras, contudo, foram essenciais.

Aprendi a ler em ‘brasileiro’ com a Editora Abril, que colocava as suas revistas aqui em Portugal. Do Zé Carioca, passando pela Luluzinha e Turma da Mônica, aos heróis da Marvel. Já mais maduro, viriam mesmo as histórias de Terror, onde travei conhecimento com alguns artistas brasileiros, ainda sem o saber. Todo este material da grande Arca dos quadrinhos era adquirido em livrarias de bairro, mas sobretudo nos quiosques de praia nos tempos de férias. Nesse tempo, os meus pais compravam-me saquinhos que vinham cheios de revistas em quadrinhos baratas.

O que temos de reter para perceber a Umbra Antologia, é que o conceito de seriado e do periódico é que eram a chave: aguardar intensamente a semana seguinte. Apesar de existir a Abril, há que dizer que o mercado nacional era inundado por revistas e coleções de todos os gêneros imagináveis, produzidas cá, tais como Mundo de Aventuras, Falcão, Tintin etc.

Estaria traçado o destino de fazer viajar a Umbra até ao Brasil. Tarefa não fácil. Já houve mais intercâmbio entre os dois países em termos de circulação de comics, nomeadamente nos anos 1970 e 80. Mas o paradigma digital da nossa era, quebrou o enguiço e derrubou a distância que nos separa. Esse imenso oceano.

A ideia de um periódico perseguia-me desde jovem, como se os quadrinhos não fossem concebidos de outra forma. Numa época em que o objeto ‘Novela Gráfica’ é o prato forte da edição, em fórum que reuniu alguns colegas chegados, optamos pela publicação de uma antologia com lombada, pois o mercado das revistas simples com grampo seria uma má escolha e aposta.

Creio que ainda não tinha reaparecido a nova encarnação da Métal Hurlant francesa, agora em antologia e com conteúdos mais próximos do século XXI. Mas desde a primeira hora a maior referência, pela aposta descarada dos gêneros e do conceito, o material da EC Comics: Gaines, Wally Wood, Al Williamson, Reed Crandalll, John Severin, Al Feldstein, Bernard Kriegstein e, de modo bem distinto, mas insubstituível, Harvey Kurtzman. Estas, foram as nossas inspirações. Justas e vividas, produto de uma geração que viveu os anos 1980, com 15 anos.

A cultura popular é o nosso foco. O que esteve na génese da antologia foi algo muito a ver com o seriado Arquivo X (em Portugal, Ficheiros Secretos). Cada pasta de um caso seria uma história em quadrinhos, agora desclassificada. No número inaugural da nossa Umbra, usamos separadores com imagens de objetos ícones dos anos 1980, sendo um deles a minha primeira câmera fotográfica, muito básica. Tinham um sentido muito privado, mas é de confessar que muitas das ideias para os roteiros vêm desse espólio de materiais de arquivo.

Assim, esta loucura de editar um objeto tão alienígena, eu não lhe chamaria de coragem. Antes uma pulsão, uma drive, o de tentar devolver aos leitores e jovens destes tempos conturbados, as experiências de usufruto dos comics que a minha geração teve. Será este o objetivo nº 1 da nossa proposta. E isso também se manifesta no plano do alinhamento editorial. Trazer os jovens autores – e temos muitos por aqui – e misturá-los com os trabalhos dos nossos “mestres”.

O porquê de histórias distópicas? Porque o futuro é agora. Em 2020 entramos numa distopia bem profunda, na forma de uma pandemia mundial. Não um holocausto nuclear ou uma catástrofe química ou biológica. Mexeu com a vida de todos. Com a nossa também. Lançamos a Umbra #2 em plena pandemia. Alteramos o editorial e a nossa campanha adaptou-se ao momento. Mas descobrimos que, afinal, os nossos slogans já anteviam a tragédia: homens com trajes de proteção nuclear e medidores de radiação (como mostrado em nosso vídeo promocional de lançamento da Umbra*). Criamos frases e slogans pujantes e dramáticos e nossa equipe se reuniu à distância para fechar a segunda edição sem encontros presenciais. Ne touchez pas. Stay Home! Seria assim por quanto tempo? Uma certeza, a Umbra não para!

Filipe Abranches

Umbra Portugal